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Resenha crítica do documentário Surplus

Surplus, diretor: Erick Gandini, 2003

A proposta do filme Surplus é fazer com que as pessoas reflitam sobre o consumo em excesso, que pode ser considerada como uma herança negativa do capitalismo. Uma das características cada vez mais marcantes da sociedade de consumo é a falsa impressão de que nunca temos o suficiente para nos mantermos, quando na verdade precisamos consumir apenas o necessário para atender nossas necessidades básicas.

O capitalismo se sustenta em multiplicar cada vez mais a riqueza das grandes empresas, mesmo que isso implique na deterioração do meio ambiente e de seus recursos naturais. O filme começa com um discurso sobre os danos que o consumo exacerbado tem causando não apenas ao homem, como também ao meio ambiente, a exemplo dos rios, lagos e florestas e ilustra como emissão de gases atmosféricos tem se tornado cada vez mais nociva à saúde.

A cultura americana do consumo em excesso, grande parte de coisas supérfluas, escraviza os países subdesenvolvidos e dependentes de sua economia a viverem fadados ao que eles (os americanos) determinam. Exemplo disso é a “ausência” de identidade da mídia brasileira que, ao invés de criar programas inovadores, exporta modelos de programas americanos defasados, pouco atrativos e que, menos ainda, acrescentam valores à humanidade.  Paralelo a isso, uma passagem importante vista no documentário é quando o escritor John Zerzan relata que o consumo em excesso está destruindo o planeta. A maneira como o homem tem tratado as causas ambientais passou do estágio de hipótese, já que está mais do que provado que os danos causados ao planeta implicam na sua destruição não apenas do meio ambiente, como também na autodestruição humana.

A reunião do G8, em 2001, ilustra muito bem isso. Na época, o então presidente dos Estados Unidos George W. Bush se negou a assinar o protocolo, no qual o país se comprometeria em emitir menos gases poluentes à atmosfera, pois isso afetaria negativamente a economia americana. A preocupação dos americanos era de reestruturar a economia do país, na época muito abalada com os episódios de 11 de setembro.

O mito de que a tecnologia mudaria a vida das pessoas contradiz com a realidade, pois nos tornamos cada vez mais dependentes dela dos inventos tecnológicos, como a TV, notebook e celular. A problemática da sociedade de consumo não é, portanto, para ser pensada a longo prazo, o meio-ambiente está cada vez mais poluído, e o lixo produzido pelo homem, seja ele renovável ou não renovável, contamina o planeta como herança desta sociedade, cuja principal anomalia é o consumo inconsciente.

O poder que os americanos têm de persuadir o consumidor é tão grande que pode ser evidenciado com o discurso de Tânia, a cubana que nunca tinha saído de seu país. Nota-se uma euforia em seu discurso, um semblante de felicidade por ter tido o primeiro contato com hábitos alimentares desconhecidos, até porque Cuba é um país que não estimula o consumo.

 Antagônico a isto, o jovem milionário Svante se questiona como gastar o seu dinheiro sem que isso signifique, necessariamente, em mais consumo. O jovem se diz simples e prega que as pessoas não precisam de luxo para sobreviveram porque o luxo é um produto capitalista criado para impressionar e para delimitar o espaço de quem tem mais poder.

Por fim, muitas podem ser as reflexões acerca deste excelente documentário, contudo a que mais me chamou atenção é a fala do escritor John Zerzan, ao dizer que só seríamos capazes de evitar um grande colapso econômico se voltássemos a viver no primitivismo da idade da pedra.

 

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